quarta-feira, 16 de julho de 2014

          Há preocupação clara nos bacharéis sobre o segurança profissional e financeira que ainda não existe na labuta do sanitarista, e a partir desse quadro, o final do segundo semestre se torna um túnel sem volta, onde não há espaço para dúvidas e arrependimentos. Não quero com isso desmerecer o curso de Saúde Coletiva, até por este estar tomando seu devido espaço na sociedade, mas saliento esse sentimento unânime, porém inconsciente, numa grande parcela de bacharelandos.
Talvez essa insegurança seja apenas uma consequência da grande liberdade que a profissão promete, permitindo que os profissionais referidos, assumam ocupações complexas, dinâmicas e fora do engessamento institucional que o campo saúde costuma assumir em montar um "exoesqueleto" de atribuições, pois, da classe médica à enfermagem, dos profissionais dos serviços de apoio aos diretores de grandes hospitais, todos sabem "o que" e "como fazer". O sanitarista sabe como fazer, também sabe o que fazer, mas também sabe (...redundantemente!) se o fazer é necessário, ônus de quem, bônus para quem... sabe que a informação não cai dos céus, e que a prática não se restringe à grandes categorias que deixam lacunas nas áreas de interface, porém o sanitarista 'mete medo' e logo, precisa passar pelo medo da certeza, por incertezas!
         Não podemos pensar nem citar o engessamento institucional com demérito por não se tratar de erro ou má gestão e má administração, mas sim como um processo natural e necessário para implantação do profissional que trabalha em contado com diversos setores, tanto públicos como privados, em contato também com diferentes classes sociais  com diferentes abordagens e metodologias, um profissional que se faz necessário em um sistema onde as diversidades não conversam e em muitas, não se toleram. Um profissional que conta com o atributo extrapratico e sistêmico, que transcende a simplória prática premoldada de assinar papeis, seguir protocolos, enxergar à curta distância.... enfim, resumindo, o sanitarista teme em parte, ser temido pelo sistema, ter atribuições escanteadas e barreiras políticas, administrativas, pessoais, institucionais e de classes.
           Volto a afirmar que o segundo semestre cumprido, significa assumir as consequências, acreditar e ter esperanças nas batalhas que nos esperam e antes de tudo e mais, ter uma capacidade altamente técnica de levantamento de dados e situações, e a capacidade de compreender diferentes atribuições de diversos profissionais da saúde e da política.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

É visível o aumento de dificuldades que ocorreu no segundo semestre e o susto ao encontrarmos colegas repetentes, o que mostra que "barbadas" não existem, é necessário sim, o mínimo esforço; esforço entendido como 'um pouco mais que trabalho'.
Por um lado esse curso aproximador de pessoas, quebra o gelo e faz com que as aulas sejam brandas e em parte, verdadeiras, pois vemos nas entre linhas o real sentimento de professores e colegas, por outro, essa proximidade intercolegas faz com que não consigamos dizer não aos pedidos de ajuda ou quando precisamos de algo, pedimos descaradamente; temos turmas desniveladas em diversos atributos, idade, formação, personalidade (amostra), classes sociais, entre outros.
Por vez, esse mundo é prático, e justamente em uma linha de conhecimento prático é que a turma balançou! O mercado de trabalho (odeio esse termo) exige profissionais que dominem a técnica, as contas e números, pesquisas, interpretação de gráficos, domínio da tecnologia e pro atividade, necessita de profissionais que tratem com seriedade os problemas e que sejam objetivos e eficazes. Mas o trabalho com seres humanos (vivos) requer um entendimento da pessoa e nesse domínio da diferenciação é que temos um bom profissional, aquele que domina a teoria, a técnica e tenha o 'sensor' afinado para entender e trabalhar com pessoas.
Se o grau de exigência continuar como seguiu neste semestre, teremos novamente mudanças na  turma, e muito se deve justamente às diferenças pessoais de cada um. Trabalho, familia e filhos, os animais de estimação, a casa, o final de semana atarefado, o domínio da tecnologia (ou falta deste), distância, etc.

Mas esquecendo a pessoa e tratando da parte funcional, as UPPs do segundo semestre abordaram o início de práticas de um sanitarista, a partir de pesquisa em banco de dados, entrevista de movimentos sociais, elaboração de artigos, banners, elaboração de referências e trabalhos acadêmicos, as obrigações dos serviços com resíduos e rejeitos, a vigilância em diversas abordagens e as relações interpessoais. O histórico da profissão sanitarista e atribuições é tema muito debatido durante o curso, por isso é inerente aos alunos.
Agora, tomando a vista dos serviços e as reais necessidades, temos um panorama de mudanças onde nunca antes se teve essa preocupação com as massas, e é neste contexto que o sanitarista além de profissional deve ter o mínimo de militância em seu discurso, tentando mostrar outro lado da verdade, motivando as parcelas neutras e descrentes do poder que tenham. Os profissionais são descrentes e desconhecem a abrangência do sistema de saúde brasileiro, o curso forma profissionais de saúde, logo estes devam promover os valores do SUS e trabalhar para realmente 'consertar' os problemas; nesse ponto, o controle social se faz muito importante (decreto 8243/14) para empoderar e promover o sistema.
Alguns entraves devem ser resolvidos como a regionalização para moradores de rua e o domínio da corporação médica sobre outros profissionais e serviços.
No mais, essa gama de problemas e determinancias devam ser absorvidas gradualmente ao longo do curso e continuada à vida profissional e pessoal.